
Portanto, escrevo, resignado, para parabenizar as remanescentes crianças (??) deste país por sua data - que certamente é mais profícua por representar mais um dia de folga.
Minha geração talvez tenha sido a última de "crianças", efetivamente. Cada vez menos tomamos conhecimento daqueles aspectos lúdicos de outrora. Brincadeiras simples e brinquedos, dão lugar a videogames cada vez mais sofistificados e celulares de todas as cores imagináveis e inimagináveis. A prática de esportes é substituída pela prática virtual. Sem remorso. Pior: muitas vezes com o aval dos pais (sustentados sobretudo pelo argumento da violência) e a preferência das crias. O namoro, que na minha infância consistia simplesmente numa troca de olhares interessados e envergonhados, procedido do coro inflamado de amigos, em uníssono ("Tá namorando!..."), tendo como ápice um encontro, dissimulado (!), das pequeninas mãos. Podendo chegar, em alguns casos, a um instantâneo selinho. Nada além disso.
O que se vê é o oposto que do se viu - há não muito mais de 25 anos. Diminutos seres se relacionando como nossos pais (só para não perder a citação, já que prefiro não imaginar a figura materna agindo daquela maneira), cada vez mais precoces. Fuçando por esta infinda rede, descobri que 12 de outubro é também Dia Nacional de Leitura - sancionado pelo presidente Lula em projeto de lei. Se ao menos a precocidade se desse nesse nível também...
Enfim, fato é que a infância hoje é algo tão comum quanto dinossauros pelas ruas.
Caso se interessem, para aprofundar o tema - por uma outra vertente não menos interessante -, recomendo o ótimo documentário de Estela Renner: Criança, A Alma do Negócio.
Gostei da comparação com os dinossauros. Inclusive, só pra reforçar a idéia, ontem no curta que assisti antes de "UP", apareciam as cegonhas entregando bebês na casa das pessoas. Eu particularmente estava achando o máximo. Porém ao olhar para a expressão dos pestinhas dentro da sala me peguei pensando (e talvez até comprovando) que eles estavam achando aquilo uma tremenda besteira. Uma pena.
ResponderExcluirTem toda a razão, Vanessa. Lamentavelmente. Me amarro em filmes infantis e costumo dizer que o pior de assistir a um filme desses são as próprias crianças. Isso sem contar as crianças-adolescentes. Por isso sempre opto por horários "alternativos". Algo como terça-feira, 13h. Principalmente agora que evito multidões.
ResponderExcluirTenho impressão que essas crianças ao se depararem com esses filmes, têm a impressão de que "é coisa de criança". Ridículo. Infantil.
É mais uma das inúmeras inversões de valores desta sociedade do avesso.
Sigo esperando os dinossauros. Nutro a esperança de vê-los além dos inesquecíveis, incasáveis e brilhantes "Jurrasic Park".
Totalmente aparvalhada ( a pedidos ).Sò rindo. Beijos!
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