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domingo, 11 de outubro de 2009

Ao Dia das Crianças (???)

Escrevo este post não sei nem pra quê. Aliás, sei. Estava preparando o post do próximo feriado (Dia do Professor, quinta) quando me toquei que hoje, também, era uma data malemolente. Então pensei que se escrevesse sobre o Dia do Professor em pleno Dia das Crianças, seria, no minímo, ignorar a data desta segunda-feira. Assim, haveria a possibilidade (ainda que remota) de ser lembrado do descuido por algum ávido amigo leitor deste espaço.

Portanto, escrevo, resignado, para parabenizar as remanescentes crianças (??) deste país por sua data - que certamente é mais profícua por representar mais um dia de folga.

Minha geração talvez tenha sido a última de "crianças", efetivamente. Cada vez menos tomamos conhecimento daqueles aspectos lúdicos de outrora. Brincadeiras simples e brinquedos, dão lugar a videogames cada vez mais sofistificados e celulares de todas as cores imagináveis e inimagináveis. A prática de esportes é substituída pela prática virtual. Sem remorso. Pior: muitas vezes com o aval dos pais (sustentados sobretudo pelo argumento da violência) e a preferência das crias. O namoro, que na minha infância consistia simplesmente numa troca de olhares interessados e envergonhados, procedido do coro inflamado de amigos, em uníssono ("Tá namorando!..."), tendo como ápice um encontro, dissimulado (!), das pequeninas mãos. Podendo chegar, em alguns casos, a um instantâneo selinho. Nada além disso.

O que se vê é o oposto que do se viu - há não muito mais de 25 anos. Diminutos seres se relacionando como nossos pais (só para não perder a citação, já que prefiro não imaginar a figura materna agindo daquela maneira), cada vez mais precoces. Fuçando por esta infinda rede, descobri que 12 de outubro é também Dia Nacional de Leitura - sancionado pelo presidente Lula em projeto de lei. Se ao menos a precocidade se desse nesse nível também...

Enfim, fato é que a infância hoje é algo tão comum quanto dinossauros pelas ruas.

Caso se interessem, para aprofundar o tema - por uma outra vertente não menos interessante -, recomendo o ótimo documentário de Estela Renner: Criança, A Alma do Negócio.